quarta-feira, 7 de novembro de 2007

Museu Sal & Azar

Tenho acompanhado superficialmente as ondas que se têm levantado quanto à edificação de um Museu, em homenagem a um senhor que inflingiu uma ditadura a este país durante o tempo que todos nós sabemos.
A minha postura quanto a esse senhor é muito clara e apesar de não ter vivido tal período, sou filha, sobrinha e neta de quem o viveu, e como tal, por educação, há uma memória que me foi transmitida. Mais tarde, por via de um conhecimento académico, pude formalizar a minha postura com uma perspectiva mais estruturada da matéria.
Esse senhor representa para mim o que o primeiro ponto da petição contra o fascismo sucintamente diz:

António Oliveira Salazar dirigiu o regime fascista que durante cerca de meio século retirou ao povo português os mais elementares direitos de expressão, informação e participação democrático, através de uma polícia política que matava e torturava os que se lhe opunham e de uma censura que impedia o livre exercício de informar e ser informado, para além de ter submetido esse mesmo povo, bem como o das colónias, a uma guerra injustificada, da qual resultou a morte e a incapacidade física e psicológica para muitos dos que nela combateram.
Não me debruço sobre a mesma petição, uma vez que há pontos com os quais não concordo, e sinceramente, acho que isso nem é para aqui chamado.
Quem teve oportunidade de ler O Medo de Existir de José Gil, lembrar-se-á que não é por via do esquecimento que os males que nos foram infligidos serão curados. Pelo que certamente o apagar voluntário dessa memória só irá gerar uma potencial repetição. Será?
Sou completamente contra um patrocínio do Estado para a construção do Museu Salazar, penso que quem o quer levar à frente deve fazê-lo com seus próprios meios, como tantas outras pessoas fazem, construíndo Casas-Museu e Fundações para perpetuar sua própria memória; escusado será nomeá-las.
Ingenuidade minha, talvez, pensar que não se exaltarão movimentos fascistas e de extrema direita se realmente o Museu for para a frente. Na verdade, haverá sempre gente afecta a um ideário fascista e ultra conservador, é inegável, mas de se manifestarem até haver um perigo eminente de voltarmos a ter um regime idêntico vai um longo e tortuoso caminho, que só aconteceria se muitos de nós andassemos distraídos.
Acho que a prova de elegância e evolução da sociedade democrática é saber aceitar que estes movimentos (que condenamos) existam. Não concordamos com a sua postura, muito menos com o que tentam imprimir a cabeças menos esclarecidas, mas será um grande erro nosso tentar proibir que existam.
Sendo assim, se há uns maduros que querem o Museu Salazar, angariem o dinheiro e façam-no.
Eu não preciso certamente de ir lá!

3 comentários:

Cristina disse...

D'acordo, no que respeita a «quem quiser que o pague»; mas erguer um museu não significa necessariamente um ponto de vista pré-definido. Vai ser curioso saber qual a perspectiva de quem dirige. Apologética? Ou nem por isso. Algo em que tens de pensar~, tu que és, como eu, mais uma maluquinha dos museus.

Martini disse...

Maluquinha dos museus? eheh tipo nerd? geek?
É uma boa coisa para pensar, nerds de museus! Mas eu nao ~sou maluquinha dos museus, pá!
Só se me disseres que eu so maluquinha pelo Reina Sofia em Madrid :)

neno disse...

Opipareee....Opiparooo....