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sexta-feira, 22 de agosto de 2008

...de se escrever #5

Na pastelaria a senhora chorava. As lágrimas saltavam-lhe dos olhos, não conseguia controlar. Disse-lhe que não precisava de chorar, tinha era de se rir. Falava tão depressa que conseguiu contar-me a sua história em 15 minutos, pouco tempo para uma vida tão cheia. As lágrimas passaram e as recordações, com um puzzle, mapearam seu sorriso aberto que nos recebeu como novos habitantes na sua vida.
Dizia, emocionada, fiz anteontem 69 anos, a minha surpresa foi dupla, não só pela senhora aparentar 55, como por meu dia ser comum ao dela. Comuniquei-lhe curioso facto.
Ai menina, dizia, tão bonita, e fez quantos? E a forma sincera e cuidada como me deu os Parabéns foi a mais bonita de todas. De uma estranha, de uma pessoa a quem tinha pedido um café e um pastel de nata ainda esta manhã, passou a alguém com quem entabelei conversa da qual posso retirar tão puro significado.
Há dias assim. É preciso é abrirmos os olhos como diz o amigo P que presenciou o que se passou.

domingo, 13 de abril de 2008

Infusão de Marte / mini-post#7


Ontem encontrei a infusão de Marte no SemSim Café (Bairro Alto).
Achei piada e, apesar de beber o habitual Vodka Maçãs, não pude deixar de registar a dita infusão que é de Marte.

Ingredientes: Ginseng, erva princípe, gengibre, poejo, sementes de cardamomo, sementes de funcho e mel.

Caso para pensar que proximamente irei ao encontro desta infusão, talvez num fim de tarde produtivo, who knows...

SemSim Café, Rua da Atalaia, nº 34, Bairro Alto

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Conversas de Café


O rebuliço de um café de bairro é normal. O rebuliço do café que frequento no meu bairro é normal, mas por vezes é mais normal do que outras, se é que me faço entender. No Domingo pousava um chá à minha frente e um lápis para desenhar uns números num quadro de sudoku; enquanto esperava por um amigo. Ora, a minha atenção prendeu-se na mesa do lado, tal foi a inevitabilidade de me rir.
O contraste era óbvio: ali fumava-se (pode-se fumar, sim) e bebiam-se cervejas. Pensei que fosse a antecipação do jogo, mas não. Era uma espécie de desfiar de ódio, com um toque de humor, vindo de uma donzela deixada pelo príncipe mau. Até eu antipatizei com o rapaz que decidiu deixar a mocinha de boas famílias, com o mesmo nome que o meu, por uma denominada boazona que deve fazer tudo o que ele pede.
Os amigos, um painel no mínimo estranho, constituído por um elemento que não sendo pai, seria padrasto, ou tio, acompanhavam as cervejas e balbuciavam palavras de um afecto constrangedor.
As mesas que rodeavam a cena principal prestavam uma atenção assumida, que noutra situação seria condenável e interpretada por cusquice.
O melhor estava para acontecer, a plateia sedenta de pormenores ficou satisfeita quando a donzela rematou epicamente com a melhor definição possível: ela é um verdadeiro desastre geográfico!!!