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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
...de se escrever #8
Não sei se é dos meus olhos, do meu processo sensorial, mas há muitas realidades em que me encontro nas quais geralmente chego à conclusão que me sinto dentro de um filme. É tudo tão cinematográfico. Na volta, no fim, tudo é cinema.
A sala não tinha muita luz e a toalha de mesa teria, talvez, tons de vermelho, o som era qualquer coisa entre o médio oriente e o étnico.
A tragédia começa quando me mandam abrir uma garrafa de vinho, mas quem em plenos poderes de ratio me manda abrir uma garrafa de vinho? A conversa é trágico-cómica, parece um filme italiano. 4 vozes no feminino. Mil problemas. Gargalhadas e sorrisos, racíocinios e perguntas dificeis.
O filme tem um final infeliz porque uma das personagens principais, aquela que alinha estas palavras, tem o maior ataque de choro de todos os tempos, talvez só comparável com o visionamento do filme A Paixão de Cristo. Riam, isto tem piada.
Pelo meio sou atacada por uma gata que não é uma gata é um Gremlin, e eu devo ser a água que a transforma num animal desequilibrado e transtornado.
É verdade, a salada estava tão boa, mas mesmo, a salada estava mesmo divinal. E a minha garrafa de moscatel? Minha grande amiga.
É díficil responder à pergunta "O que se passa, Martini?". Mas neste momento eu digo "Eu não estou bem", pelo que respeitem os meus silêncios, os meus racíocinios talvez sem sentido. Tudo. E este post é como um manifesto, o meu manifesto do silêncio, o meu direito à dor, à tristeza.
Não tenho pachorra nenhuma para estar em baixo, mas estou, e hei-de estar, mas também vou deixar de estar. Aguardem. Mais jantares haverá.
Um dia escrevo um filme. Mui trágico, mui cómico.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Ajuda espiritual

Tem mal de amor? Precisa de um exorcismo à sua fábrica? O seu chefe não lhe dá descanso? Consulte o Professor BAMBO e outros...
Clickar na foto para ampliar, a não perder as habilidades do Professor Mamadu!
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sexta-feira, 22 de agosto de 2008
...de se escrever #5
Na pastelaria a senhora chorava. As lágrimas saltavam-lhe dos olhos, não conseguia controlar. Disse-lhe que não precisava de chorar, tinha era de se rir. Falava tão depressa que conseguiu contar-me a sua história em 15 minutos, pouco tempo para uma vida tão cheia. As lágrimas passaram e as recordações, com um puzzle, mapearam seu sorriso aberto que nos recebeu como novos habitantes na sua vida.
Dizia, emocionada, fiz anteontem 69 anos, a minha surpresa foi dupla, não só pela senhora aparentar 55, como por meu dia ser comum ao dela. Comuniquei-lhe curioso facto.
Ai menina, dizia, tão bonita, e fez quantos? E a forma sincera e cuidada como me deu os Parabéns foi a mais bonita de todas. De uma estranha, de uma pessoa a quem tinha pedido um café e um pastel de nata ainda esta manhã, passou a alguém com quem entabelei conversa da qual posso retirar tão puro significado.
Há dias assim. É preciso é abrirmos os olhos como diz o amigo P que presenciou o que se passou.
Dizia, emocionada, fiz anteontem 69 anos, a minha surpresa foi dupla, não só pela senhora aparentar 55, como por meu dia ser comum ao dela. Comuniquei-lhe curioso facto.
Ai menina, dizia, tão bonita, e fez quantos? E a forma sincera e cuidada como me deu os Parabéns foi a mais bonita de todas. De uma estranha, de uma pessoa a quem tinha pedido um café e um pastel de nata ainda esta manhã, passou a alguém com quem entabelei conversa da qual posso retirar tão puro significado.
Há dias assim. É preciso é abrirmos os olhos como diz o amigo P que presenciou o que se passou.
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segunda-feira, 7 de abril de 2008
terça-feira, 8 de janeiro de 2008
Quando achamos que as coisas correm mal...há sempre qualquer coisa que pode correr pior, como por exemplo ser mandada parar pela polícia e desembolsar 120 € por estar a falar ao telemovel.
#!@&%?!
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quinta-feira, 13 de dezembro de 2007
Ele escreve.
Tem um caderno preto, com linhas horizontais e verticais, que se cruzam. A caneta importa-lhe tanto quanto a forma como desenha as letras, a superfície tem que ser rugosa, o papel deve criar alguma resistência à passagem da tinta. São, talvez, idiossincrasias. A sua letra vem do antigamente, daquele tempo em que na escola se ensinava a desenhar as letras.
Escreve sem pudores, sem educação, sem métricas, regras ou conclusões. Tem um ar quase aristocrático, remexendo a barba, fumando sem saber das mãos. Os seus cadernos guarda-os sempre consigo, num saco que carrega para onde quer que vá. Organiza-os por datas, um para casa ano, talvez. Tem muitos, alguns queimou-os. Porquê, não sabe. O que escreve não importa, importa que escreve.
Ele é pobre. Não de espírito, mas quase na verdadeira acepção da pobreza, não tem casa, não tem poiso, ninho, um lugar onde voltar, um lugar quente, como nós. Mas escreve.
O que o fez não ter tecto? Gostava de saber. Como se chega ao limite de não ter o lugar que é nosso, onde repousam as nossas coisas? É tão inquietante: a pobreza.
Embora necessite não pede. Mas escreve, às vezes sem nexo, outras com tanto. E lê? Não. Então como escreve?
Tem um caderno preto, com linhas horizontais e verticais, que se cruzam. A caneta importa-lhe tanto quanto a forma como desenha as letras, a superfície tem que ser rugosa, o papel deve criar alguma resistência à passagem da tinta. São, talvez, idiossincrasias. A sua letra vem do antigamente, daquele tempo em que na escola se ensinava a desenhar as letras.
Escreve sem pudores, sem educação, sem métricas, regras ou conclusões. Tem um ar quase aristocrático, remexendo a barba, fumando sem saber das mãos. Os seus cadernos guarda-os sempre consigo, num saco que carrega para onde quer que vá. Organiza-os por datas, um para casa ano, talvez. Tem muitos, alguns queimou-os. Porquê, não sabe. O que escreve não importa, importa que escreve.
Ele é pobre. Não de espírito, mas quase na verdadeira acepção da pobreza, não tem casa, não tem poiso, ninho, um lugar onde voltar, um lugar quente, como nós. Mas escreve.
O que o fez não ter tecto? Gostava de saber. Como se chega ao limite de não ter o lugar que é nosso, onde repousam as nossas coisas? É tão inquietante: a pobreza.
Embora necessite não pede. Mas escreve, às vezes sem nexo, outras com tanto. E lê? Não. Então como escreve?
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