segunda-feira, 31 de março de 2008

Geração youtube

Acabo de ver, ainda que com algum atraso, a versão completa do vídeo que tem feito correr tinta na última semana. Uma aluna agride verbalmente uma professora que tenta tirar-lhe o telemóvel. Uma agressão que chega a usar a força.
Há uma série de coisas que me ocorrem para classificar esta situação, mas em primeiro lugar a minha estupefacção tem uma dimensão proporcional à importância que deram a este caso. E antes de pensarmos no que se passou ali, acho que temos de pensar porque é que aquilo se passou.
A proibição é sempre um território pantanoso, que dá azo a contestação. Lembro-me das ondas que se levantaram quando, há 8 anos, frequentando eu o 12º ano, foi proibido o uso do telemóvel, não apenas na sala de aula, mas na escola inteira, muitas vozes se levantaram. Em todo o caso sempre achei que deve haver uma margem de sensibilidade por parte do aluno e entender que há certas coisas que não são compatíveis com o ritmo habitual das aulas.
A ideia que me dá é que nesta escola no Porto não houve essa preocupação. Se a indignação daquela aluna é tão grande perante a atitude da professora, naturalmente o uso do telemóvel era normalizado na sala de aula; tanto seu, como dos colegas, que de barriga cheia, qual freak show, assistem a esta violência dirigida à professora. Pouco fazendo para evitar o confronto.
Por outro lado surpreende-me muito a atitude desta professora que mostra aqui ser o elo mais fraco de todo este triste enredo. Um professor não pode sucumbir à violência de um aluno e reduzir a sua atitude ao simples facto de estar a medir forças com uma pessoa que nem é maior de idade. Mas como fazer isto?
O conjunto de referências que tive ao longo da vida tem especial carinho pelos professores, que desempenham um papel crucial na nossa evolução em fases determinantes. Ora, essas mesmas referências ensinaram-me que o respeito coexiste alegremente com um ambiente saudável de transmissão de conhecimento. Obviamente conheci professores que nunca tiveram "pulso" nos alunos, faltava-lhes talvez o carisma, o ascendente, aquela aptidão especial para cativar. Mas questiono-me como pode uma professora, por menos ascendente que tenha perante os alunos, chegar a este ponto em que mede forças com uma aluna.
Por último ocorre-me dizer que a tecnologia tem os seus efeitos perversos, mas certamente não estaríamos a falar sobre este assunto se não fosse um telemóvel e um site de vídeos.
Gostava de saber se os alunos em causa aprenderam alguma lição com tudo isto. E gostava também de saber se os alunos deste país e desta mesma geração, que agora está em discussão, tiveram capacidade para reflectir sobre o que se passou e o que se passa actualmente nas escolas. Se esse vídeo servisse para isso, já tiraríamos qualquer coisa de positivo desta muito triste situação.

Um vídeo por dia...#15

Hoje apeteceu-me ouvir e mostrar a quem não conhece esta senhora. Lhasa de Sela é uma verdadeira cidadã do mundo, a provar pelo local onde nasceu, pelo sítio onde vive e pela nacionalidade dos pais.
Nunca percebi muito bem porquê mas esta música faz-me viajar.

sexta-feira, 28 de março de 2008

O que se vê em Marte #14 - O trip hop saíu à rua



Portishead 27.03 @ Coliseu dos Recreios

Para quem acha que o trip-hop foi um dos movimentos musicais mais importantes dos anos 90, este era de certeza um dos concertos mais aguardados do ano.
Com o novo álbum (ilegalmente) já no ouvido, um ouvido que se fez mais contemporâneo e menos agarrado à sonoridade dos 90, recebemos num Coliseu completamente esgotado a banda de Bristol.
A expectativa era tão completamente elevada que nem nos apercebemos que nada poderia superá-la e, na verdade, foi isso que aconteceu. Apesar de um bom concerto, uma Beth Gibbons irrepreensível, nada surpreendeu. E o que mais se fala é a falta de rodagem que a banda acusa, contrapondo o resultado muito positivo que as novas músicas têm ao vivo.
O público português teima em utilizar as palmas e os assobios ao mínimo esgar, ao primeiro acorde de um grande clássico. Cansativo. Bem como o uso do telemovel e máquinas fotográficas, como se o importante do concerto fosse o dia seguinte em que vai figurar um vídeo caseiro daquele momento especial no youtube.
Roads foi especial. Assim como Glory Box. Mas já se esperava.

O que mais me surpreendeu foi Beth Gibbons, confirmando ser a alma da banda. A sua voz, à qual nunca prestei grande reverência, mostrou-se singular e, apesar da sua frágil figura, a ideia que fica é que ela é tão forte e tão marcante.

Apesar de tudo gostei muito do concerto. A diferença é que é mais um para o curriculo e quando me perguntarem se fui a Portishead no Coliseu direi com naturalidade que sim. A diferença é que se tivesse sido arrebatador não me cansaria de o sublinhar.

quarta-feira, 26 de março de 2008

O que se vê em Marte #13


Um filme é tão bom quanto o nível de distância que tenho de uma história. Apesar do contrário não ser verdade. Posso dizer que gosto de aprender com os filmes. Persépolis é valioso por muitas razões. Uma delas tem a ver com o eterno e discutido papel da mulher das sociedades não ocidentais, mais especificamente, nestes países onde a predominância de uma sociedade masculina é tão evidente quanto é o uso do véu em sinal de um suposto respeito. Persépolis é um filme comovente sobre uma realidade que me está tão distante e que ao mesmo tempo me interessa tanto.
Os críticos dizem que foi inesperadamente nomeado para os Óscares, ganhou no Festival de Cannes. Eu não diria inesperado. É tão soberbo que não poderia fugir ao mais mainstream dos prémios cinematográficos. É isso que o distingue de todos os outros.

terça-feira, 18 de março de 2008

Crises de adolescência


Ainda sobre um grupo chamado Tokio Hotel que originou um mau começo de férias para muitos adolescentes deste Tugal, ocorreu-me o seguinte: ter 13 e 14 anos é mesmo tramado! Eles e elas choram pelo cancelamento do concerto. Eles e elas dormiram à porta do Pavilhão Atlântico para ficarem na primeira fila. Verdade seja dita que o cancelamento foi um bocado em cima da hora, literalmente. Quer-se dizer, a dita banda não agiu bem perante os seus fãs; a coisa até causou desmaios.
Ser adolescente é mesmo tramado, estas coisas fazem sofrer. Quando se gosta de uma banda é uma questão de dedicação sem limites.
Daqui a uns anos os fãs lacrimejantes serão assunto do programa Perdidos & Achados da Sic, onde, com um sorriso atrapalhado, dirão que "a adolescência é uma fase e faz parte gostar de bandas...tipicamente adolescentes". Todos nós passamos por isso.


domingo, 16 de março de 2008

O que se vê em Marte #12

Juno



Eu quero uns óculos como a Juno.

quinta-feira, 13 de março de 2008

Opinião



Sobre a manifestação dos professores no Sábado passado em Lisboa, Maria Filomena Mónica escreve na revista sábado o seguinte: "A marcha estava marcada para as 14h30, mas cheguei antes, a fim de poder observar as pessoas."

E segue-se a conlusão que esta senhora tira da sua observação:

"Ao contrário do que as imagens de televisão geralmente transmitem, não vi megeras aos berros, jovens com ar desmazelado ou hippies velhos. Tão-pouco me parecia estar rodeada de comunistas".

A minha dúvida é a seguinte: Filomena Mónica está a satirizar alguém que assim caracterizou os participantes na marcha? Ou será mesmo preconceituosa? É que estou com umas dúvidas.

quarta-feira, 12 de março de 2008

Um vídeo por dia...#14

Hoje a Radar surpreendeu-me. Acho que não podia haver música que sorrisse mais a minha manhã.
O Senhor Jorge Palma!

"Não estou com grande disposição
P'ra outra enorme discussão
Tu dizes que agora é de vez
Fico a pensar nos porquês
Nós ambos temos opiniões
Fraquezas nos corações
As lágrimas cheias de sal
Não lavam o nosso mal

E eu só quero ver-te rir feliz
Dar cambalhotas no lençol
Mas torces o nariz e lá se vai o sol

Dizes vermelho, respondo azul
Se vou para norte, vais para sul
Mas tenho de te convencer
Que, às vezes, também posso...

Ter razão!
Também mereço ter razão
Vai por mim
Sou capaz de te mostrar a luz
E depois regressamos os dois
À escuridão

Se eu telefono, estás a falar
Ou pensas que é p'ra resmungar
Mas quando queres saber de mim
Transformas-te em querubim
Quero ir para a cama e tu queres sair
Se quero beijos, queres dormir
Se te apetece conversar
Estou numa de meditar

E tu só queres ver-me rir feliz
Dar cambalhotas no lençol
Mas torço o meu nariz e lá se vai o sol

Dizes que sou chato e rezingão
Se digo sim, tu dizes não
Como é que te vou convencer
Que, às vezes, também podes...

(escuridão)

Ter razão!
Também mereces ter razão
Vai por mim
És capaz de me mostrar a luz
E depois regressamos os dois
À escuridão

Atenção!
Os dois podemos ter razão
Vai por mim
Há momentos em que se faz luz
E depois regressamos os dois
À escuridão"

terça-feira, 11 de março de 2008

Mini-post #4

Uma visitinha à repartição de finanças dá sempre azo a troça. Podia fazer a postagem do costume, evidenciando a queda que tenho para idas atribuladas a instituições públicas. Mas hoje não é necessário. Deixo-vos apenas uma piada (seca) que fora do seu contexto perde o significado. 

Senhor 1: Oh António empresta aí o corrector!

Senhor 2: Leva! Mas tens que pagar imposto!


Ok eu aceito se ninguém se rir!

segunda-feira, 10 de março de 2008

O que se ouve em Marte #6

Vá-se lá saber como, o álbum dos Portishead ficou disponível na Internet quase dois meses antes da sua edição oficial. Resultado: eu já o ouvi. Chama-se a isto ouvir um álbum pela porta do cavalo, não será?



É verdade...
O que achei do álbum? 10 anos de espera, três audições, estou a digerir.

terça-feira, 4 de março de 2008

O que se ouve em Marte #5


Ainda dizem que não se faz boa música em Tugal. Mais um grupo de Coimbra!


Myspace da banda: Sean Riley & The Slowriders


Uma foto por dia...(1)


Quando não há palavras, há imagem e esta é bastante ilustrativa do que pode ser um apaixonado por música.
Tirada daqui.

Mini-post#3

Nos últimos meses raro foi o dia em que não visitei o blog do amigo Teixeira: A Tasca do Teixeira. Sempre com a esperança que chegasse o dia do ponto final no interregno estipulado há uns meses.
Esse dia chegou.
És o máior!