terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Conversas de Café


O rebuliço de um café de bairro é normal. O rebuliço do café que frequento no meu bairro é normal, mas por vezes é mais normal do que outras, se é que me faço entender. No Domingo pousava um chá à minha frente e um lápis para desenhar uns números num quadro de sudoku; enquanto esperava por um amigo. Ora, a minha atenção prendeu-se na mesa do lado, tal foi a inevitabilidade de me rir.
O contraste era óbvio: ali fumava-se (pode-se fumar, sim) e bebiam-se cervejas. Pensei que fosse a antecipação do jogo, mas não. Era uma espécie de desfiar de ódio, com um toque de humor, vindo de uma donzela deixada pelo príncipe mau. Até eu antipatizei com o rapaz que decidiu deixar a mocinha de boas famílias, com o mesmo nome que o meu, por uma denominada boazona que deve fazer tudo o que ele pede.
Os amigos, um painel no mínimo estranho, constituído por um elemento que não sendo pai, seria padrasto, ou tio, acompanhavam as cervejas e balbuciavam palavras de um afecto constrangedor.
As mesas que rodeavam a cena principal prestavam uma atenção assumida, que noutra situação seria condenável e interpretada por cusquice.
O melhor estava para acontecer, a plateia sedenta de pormenores ficou satisfeita quando a donzela rematou epicamente com a melhor definição possível: ela é um verdadeiro desastre geográfico!!!

5 comentários:

Marta disse...

A dor de cotovelo de uma moçoila abandona pelo seu amor descrita de forma tão caricata merece um comentário... Eu não estava presente, mas adoraria ter estado... eheheheh

I disse...

O que será um "desastre geográfico"?

Martini disse...

Marta: obrigada pela visita e pelo comentário:)
Como estas coisas são frequentes, acredito que acontecerão mais do género futuramente, na tua presença.

I: a piada reside nessa pergunta não achas?
Nunca tinha ouvido semelhante "classificação"

manhã disse...

assim como uma curva que não estava sinalizada, ou um monte no meio do nada, ou seja, local propício ao desastre.pois, mas a visada não sai desfavorecida, pelo contrário.

Mónica disse...

desastre geográfico será ter as capitais trocadas? ou descobrir o brasil no caminho para a índia :DDDDD